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Quebra-cabeças são incríveis. Cada peça tem seu lugar certo. Cada peça só cabe no lugar certo. Não adianta tentar colocar uma peça em outro lugar que não o que lhe foi designado.
Se você pega uma peça e tenta colocá-la no lugar errado, o quebra-cabeça vai estar incompleto. Cada peça tem a sua singularidade. Todas as peças, por menores que sejam, são imprescindíveis. Sem todas elas juntas, integradas, não faz sentido.
Se as peças estiverem em seus devidos lugares, tudo vai parecer certo. Tudo vai ser como deveria ser. Mas se faltar alguma, ou se alguma estiver no lugar que não o seu, então, algo estará indubitavelmente errado. Não era pra ser. Você tenta, tenta e tenta. Mas não consegue. Pode parecer certo por uma fração de segundo, mas não era inicalmente determinado que fosse assim, e não será.
Essa é a vida. Você pode tentar, tentar e tentar, mas só quando a peça certa encontrar o lugar certo é que tudo vai fazer sentido.
Algumas peças podem ser aparentemente insignificantes, mas na realidade querem dizer mais do que as pessoas normalmente veem.
Se alguma peça, por menor que seja, estiver fora do lugar, haverá uma falha na estrutura, e falhas na estrutura, por menores que sejam, podem se tornar grandes rachaduras no futuro.
Se alguma peça estiver fora do lugar, o melhor a fazer é removê-la e encontar seu lugar certo. Remover essa peça pode ser difícil, mas a pequena dor da retirada não será significante quando comparada ao bem que virá quando essa peça estiver no lugar ao qual pertence.
Quando você olhar o seu redor e realmente conseguir enxergar um sentido em todas as coisas que te cercam, em todas as coisas, junta ou separadamente. Quando uma brisa te atingir e você conseguir realmente sentir a leveza. Quando o seu quebra-cabeça estiver completo, você finalmente terá encontrado todas as coisas que esteve procurando por todo esse tempo. Você poderá ver com seus próprios olhos que tantas tentativas não foram em vão, e que de cada uma delas você tirou um pequeno pedaço de cada peça fundamental do grande quebra-cabeça da sua vida.

“Time passes. Even when it seems impossible. Even when each tick of the second hand aches like the pulse of blood behind a bruise. It passes unevenly, in strange lurches and dragging lulls, but pass it does. Even for me.”
New Moon, Stephenie Meyer

O tempo passa. Quem diria, huh?
Quem diria que as coisas poderiam ser esquecidas, deixadas de lado com tanta facilidade. Quem diria que o tempo apagaria tantas coisas, tantas coisas que um dia significaram tanto.
Quem diria que depois de tanto tempo eu ainda lembraria do que insiste em ser esquecido. Quem diria que eu seria tão estúpida a esse ponto.
Saudades. Isso é saudades. Sentir tanta falta que já nem se sabe se o que te faz falta realmente existiu.
Coisas distantes, anos passados, perdidos.
Será que é real? Eu devo estar sonhando. Ou tendo um pesadelo, quem sabe.
Que tola eu fui. Acreditar que algo pode durar pra sempre.
Nada é pra sempre. A vida se esvai. As memórias ficam. Até serem substituídas por outras, melhores, ou mesmo piores.
E enquanto a vida se perde, nós vamos vivendo. Acreditando novamente. Iludindo-nos, como sempre. Esperando.
Esperando que as memórias fiquem. Memórias boas no lugar das ruins.
Sentir falta é inevitável. Esquecer é inevitável. O que se pode tentar evitar é que a vida se esvaia pelos vãos dos seus dedos.
Assim, vamos tentando evitar o inevitável. As coisas como são.

É o que eu tenho sentido.
Das coisas que eu deveria ter feito e não fiz. Das coisas que eu deveria ter dito e não disse. Das coisas que eu poderia ter sentido e não senti. Das coisas que eu fiz, disse, senti, que são quase as mesmas que eu não fiz, não disse e nem senti.
Eu perdi tanto. Eu me perdi em tantas coisas.
O que eu sou hoje eu já nem sei. Não sei se sou uma sombra, migalhas ou rastros. Eu nem sei se eu ainda existo. São poucos os momentos em que eu posso me sentir viva, e esses momentos são constantemente interrompidos pela cruel realidade.
Morrer não dói, disse Cazuza. E eu começo a concordar. Me sinto num profundo estado de inércia. Eu só quero ficar no meu cantinho, imóvel, intacta, pra sempre.
Eu quero esquecer esse tudo, que é, ao mesmo tempo, nada, e que insiste em tomar conta dos meus pensamentos.
Será que…? Não sei, não quero saber. Será que vale a pena? Me torturar por algo que obviamente não vai chegar a lugar nenhum? Me arrepender?
No final, tudo é esquecido, de qualquer maneira.
E eu já não sei de mais nada. Não quero saber.