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“Time passes. Even when it seems impossible. Even when each tick of the second hand aches like the pulse of blood behind a bruise. It passes unevenly, in strange lurches and dragging lulls, but pass it does. Even for me.”
New Moon, Stephenie Meyer

O tempo passa. Quem diria, huh?
Quem diria que as coisas poderiam ser esquecidas, deixadas de lado com tanta facilidade. Quem diria que o tempo apagaria tantas coisas, tantas coisas que um dia significaram tanto.
Quem diria que depois de tanto tempo eu ainda lembraria do que insiste em ser esquecido. Quem diria que eu seria tão estúpida a esse ponto.
Saudades. Isso é saudades. Sentir tanta falta que já nem se sabe se o que te faz falta realmente existiu.
Coisas distantes, anos passados, perdidos.
Será que é real? Eu devo estar sonhando. Ou tendo um pesadelo, quem sabe.
Que tola eu fui. Acreditar que algo pode durar pra sempre.
Nada é pra sempre. A vida se esvai. As memórias ficam. Até serem substituídas por outras, melhores, ou mesmo piores.
E enquanto a vida se perde, nós vamos vivendo. Acreditando novamente. Iludindo-nos, como sempre. Esperando.
Esperando que as memórias fiquem. Memórias boas no lugar das ruins.
Sentir falta é inevitável. Esquecer é inevitável. O que se pode tentar evitar é que a vida se esvaia pelos vãos dos seus dedos.
Assim, vamos tentando evitar o inevitável. As coisas como são.

É o que eu tenho sentido.
Das coisas que eu deveria ter feito e não fiz. Das coisas que eu deveria ter dito e não disse. Das coisas que eu poderia ter sentido e não senti. Das coisas que eu fiz, disse, senti, que são quase as mesmas que eu não fiz, não disse e nem senti.
Eu perdi tanto. Eu me perdi em tantas coisas.
O que eu sou hoje eu já nem sei. Não sei se sou uma sombra, migalhas ou rastros. Eu nem sei se eu ainda existo. São poucos os momentos em que eu posso me sentir viva, e esses momentos são constantemente interrompidos pela cruel realidade.
Morrer não dói, disse Cazuza. E eu começo a concordar. Me sinto num profundo estado de inércia. Eu só quero ficar no meu cantinho, imóvel, intacta, pra sempre.
Eu quero esquecer esse tudo, que é, ao mesmo tempo, nada, e que insiste em tomar conta dos meus pensamentos.
Será que…? Não sei, não quero saber. Será que vale a pena? Me torturar por algo que obviamente não vai chegar a lugar nenhum? Me arrepender?
No final, tudo é esquecido, de qualquer maneira.
E eu já não sei de mais nada. Não quero saber.